Desce firme, em perpendicular, o socador na mão do homem e quando atinge o chão já quase firme, ainda é possível ver a poeira saltar e ganhar altura. Os olhos do menino, que está nas pontas dos pés para conseguir enxergar, brilham em resposta aos baques. Cada um a mais é um a menos rumo ao fim da construção da cancha que será inaugurada na noite de amanhã. As pessoas da vila comentam a obra desde seu início. Há tempos o antigo espaço já não servia, estava degradado pela ação do tempo e dos próprios usuários que não o tinham como seu. Sua própria cancha. Sim, afinal, seu pai patrocinava a construção. O menino vira seu rosto rapidamente para se assegurar da presença de seu velho na obra. Certificado e seguro volta sua atenção à terra batida. Claro que todos poderiam jogar em sua cancha, já havia sido posto ao seu parecer as condições e motivos para que a obra fosse realizada, e outra, tinha habilidade para ganhar de qualquer morador que o desafiasse, sem se incomodar com idade, tamanho e menos ainda de cara feia. Sentia até um frio na barriga imaginando seu adversário de queixo caído ao assistir, no último arremesso, sua bocha tocando a do oponente, fazendo com que esta tomasse distância do bolim, no entanto, a sua derradeira tacada, a de mestre, fazia também com que a sua bola ficasse mais próxima do alvo.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
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