Tá pra eles, como sempre. Eles que apresentam cortes finos e tecidos engomados e no rosto decalcam sorrisos brancos sobre a tez “botoxizada”. Mas são sempre eles. Os homens de terno (e gravata). Segundo Paulo Nogueira Batista Jr., diretor executivo no FMI, são os “bufunfeiros” (sensacional insígnia). Estes cidadãos preferem aparecer sustentando um belo copo de uísque xis anos, ao lado de suas esposas, quiçá, amantes, que portam elegantemente seus pró secos (com hífen ou sem; ah, reforma ortográfica) naqueles programas que ocupam horários madrugada a dentro, onde o próprio apresentador já é um similar, do que dar a cara à tapa em discussões que poderiam trazer algum benefício aos próximos. Entenda como próximos, eventual leitor, aqueles que almejam participar dos mesmos programas, mas também, aqueles que só necessitam manter a sua, muitas vezes, mísera renda mensal “prá modi pode viver”. Sendo assim, quando necessário aparece sempre um representante. Evidente que este ocupa um lugar importante dentro desta seleta quiara. Aí me refiro ao senhor Paulo Skaf, presidente da FIESP, que bravamente mostrou a cara e proferiu: "Precisa ficar bem entendido que nós não estamos falando de garantia de emprego porque isso não está na lei do país e isso não está na competitividade do mundo. A estabilidade engessa e nós não queremos andar para trás". Bravo! Se não está na lei de nosso país, então não há discussão. Como também não há contra argumento para a contabilidade fria destes cidadãos representados pelo gênio Skaf de que emprego é custo, portanto...
O que fico pensando, e peço desculpas por explanar aqui minhas divagações, é que, será que em nenhum momento na construção de uma sociedade como a brasileira, onde os homens de terno, nos últimos quase vinte anos, aumentaram substancialmente o patrimônio de suas instituições, vão conseguir enxergar o quanto este olhar só ao próprio umbigo os prejudica em outras situações do dia a dia. Insira nessas situações a violência, a degradação à cidade, a fuga do próprio níquel tão adorado.
O que certamente revolta o cidadão comum (sem terno e gravata), dentre estes, eu, é o fato de, quando a bufunfa tá rolando solta ninguém chama a gente pra dividir os lucros, no entanto, se há crise e, através dela, prejuízo, “Opa! Pessoal, somos um time, todo mundo vai ter que segurar um pouquinho a onda, o mar não tá prá peixe. Vamos socializar o prejuízo.” Prejuízo que advém de uma crise que eles mesmos criaram na ânsia cada vez maior pelo lucro. E vamos deixar claro aqui que toda essa corrida ao ouro teve a conivência de políticos graúdos, intelectuais ou metalúrgicos.
É triste. A situação que descrevo não é nova, todo mundo já conhece. Se buscarmos os livros de história então...lá estarão eles. Talvez não de terno e gravata, mas qualquer outra toga que os valha.
Mais triste ainda é ter a consciência que a eles nada vai acontecer, continuaram livres, leves e soltos. Já aos de baixo...
Garanta seu terno e gravata, ainda que pra ir aos casamentos dos loucos apaixonados.
Ouvindo: Justice for All (e todo Louva-Deus dos Forgotten Boys)
Não esqueçam, brindem por mim. Saúde.
.jpg)