Outro dia ao caminhar em direção a estação de metrô mais próxima de casa, num final de tarde desses que temos tido em Sampa nas últimas semanas, com aquele vento frio cortando a face (imagine, eventual leitor, quando careca), deparei-me com uma manifestação contra a proibição da circulação de fretados (ônibus) em algumas regiões da cidade. Haviam apitos, gritos empolgados, ônibus interditando a via, no entanto, era possível obsevar indivíduos, não menos afetados pela lei, que demostravam não comungar com aquele coletivo de engravatados mal humorados.
Passei como que invisível pelos manifestantes, mas a partir daí eles não passariam desapercebidos.
Acredito ser legítimo todo tipo de manifestação. Penso fazer parte do estado de direito desses órfãos dos fretados o manifesto contra a proibição, porém, e sempre há um, me chamou a atenção o perfil dos "caras-pintadas". Todos, sem exceção, se homens,terno, gravata, finos sapatos e, se mulheres, o equivalente.
Quando busco na memória referências para manifestações não são esses cidadãos que me vem à tona, mas sim, jovens, pessoas que carregam cara as marcas de uma vida menos abastada e que, constantemente, são chamados de arruaceiros. Em todo lugar, até na TV, é possível deparar com contrários que vociferam por terem seus direitos interrompidos devido aos "vagabundos".
Mas isso é apenas uma observação. À parte a briga de classes o que chapou meu cabeção foi o fato que, estes cidadãos não são comuns em manifestações que dizem respeito ao bem estar da população em geral. A merda tá rolando solta no Senado e ninguém move uma palha por isso. Nem um apito é possível ser ouvido. Agora, ser pego na porta de casa, desembarcar dentro do elevador do escritório, Ah!, isso sim é um bom motivo para uma revolução.
Não será esta mais uma ação para pensarmos o quanto nos tornamos individualistas?
Como conviver bem em cidades como São Paulo?
Qual é a nossa parte?
Brindem.
Paz!
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